Publicações

Poliamida: uma fibra sintética protagonista na história

  • 26/01/2018
  • 0 COMENTÁRIOS

Poliamida. Uma palavra que talvez soe um tanto estranho aos ouvidos que não estão muito acostumados com o termo. Porém, para muitos, ao ouvir a palavra nylon, automaticamente, um repertório de significados pode vir à tona. Em uma explicação de um ponto de vista mais técnico, o nylon, nada mais é que o representante mais famoso do grupo das poliamidas e foi a primeira fibra sintética produzida pelo homem. A poliamida faz parte do grupo de fibras químicas que estão divididas entre artificiais e sintéticas. A categoria de fibras artificiais (viscose e acetato) é produzida a partir da celulose, enquanto a categoria de fibras sintéticas, como poliéster, acrílico, elastano, nylon e o polipropileno é produzida a partir de resinas derivadas do petróleo. Nesta ordem de categorização, as fibras podem ser ainda naturais representadas pelo algodão, o linho, a seda e a lã.
A poliamida está presente em nosso dia a dia desde o início do século XX. A sua história  tem início em meados da década de 1930. A poliamida foi sintetizada por um químico chamado Wallace Hume Carothers que trabalhava para a empresa norte-americana DuPont, com sede na cidade de Wilmington, no estado do Delaware. Com características de resistência e elasticidade, o nylon foi apresentado ao público em 1939 por Charles Stine, à época, vice-presidente da DuPont. Stine adotou uma estratégia de reunir um grupo de mais de três mil mulheres durante o New York World’s Fair (Feira Mundial de Nova Iorque) para apresentar a nova “seda sintética”. A feira, que foi realizada entre 30 de abril de 1939 a 31 de outubro de 1940 no Flushing Meadows-Corona Park, no bairro Queens – teve um papel importante para a cidade de Nova Iorque que ainda vivia resquícios da Grande Depressão de 1929. Dessa forma, foi possível reunir durante a feira empresas, não apenas norte-americanas, mas também de outros países para mostrar ao público “O mundo de amanhã”. O dia de abertura da feira contou com a visitação de cerca de 200 mil pessoas.

 

A exposição do nylon na Feira Mundial de Nova Iorque resultou em 64 milhões de meias-calças vendidas em apenas um ano. Esta fibra sintética alcança popularidade e com suas características de resistência, maleabilidade e conforto passa a ser utilizada na fabricação de diversos itens como cerdas da escova de dentes, em linhas de pesca, em suturas cirúrgicas e além das meias-calças, o nylon está presente no vestuário de um modo geral, em trajes esportivos, roupas íntimas e moda praia. Outros segmentos também utilizam o nylon em sua fabricação como as cordas de instrumentos musicais, as engrenagens, as pulseiras para relógios, os pneus, paraquedas entre outros.

 

O nylon vai se destacar ainda na história durante a Segunda Guerra Mundial. Com a escassez da seda no período de conflitos, esta fibra sintética passou a ser utilizada no âmbito militar. O nylon apresentava uma melhor adaptação ao organismo humano para a realização de suturas em ferimentos porque não tinha reação inflamatória como outros fios de sutura, – a seda que era utilizada, por exemplo. Além disso, elementos militares passaram a utilizar o nylon nas confecções. Os paraquedas foram motivadores de uma campanha do governo norte-americano que pedia para que as mulheres doassem suas meias-calças para esse tipo de confecção. Esse fato contribuiu para um notório alavanque da indústria têxtil.

 

O período de guerra ainda traz curiosidades com relação ao termo nylon. Há diversas versões que explicam a origem da palavra e dentre estas versões está a história de um sentimento anti-japonês por conta dos conflitos militares, afinal, os Estados Unidos, com sua fibra sintética, se tornaram uma ameaça ao maior produtor de seda natural. Durante este período, os militares norte-americanos criaram o slogan “Now you’ve lost, Old Nippon” (Agora está perdido, velhote nipónico), que seria uma abreviação de nylon. Outra versão, a mais famosa, ainda que não tenha sido comprovada, é que a palavra nylon é uma junção das letras NY de Nova York e LON de London, em uma forma de representar os nomes das cidades, Nova Iorque e Londres, onde estavam localizados os fabricantes dessa fibra. A DuPont, empresa química criadora do nylon, também tem uma versão sobre a origem do termo que foi sendo adaptado até que se conseguisse alcançar uma pronuncia agradável: Norun>Nuron>Nilon> Nylon.

 

Dentre outras curiosidades, está ainda a indústria cinematográfica que mostrou o nylon em filmes. Em 1939, essa fibra sintética foi utilizada para representar o tornado que carrega a personagem Dorothy até a Cidade das Esmeraldas no filme O Mágico de Oz.

 

Atualmente, a pluralidade do nylon, com sua elevada resistência mecânica, faz com esta fibra seja utilizada para dispositivos de seguranças e EPI’s (Equipamento de Proteção Individual). Entre outras características está também a baixa absorção de umidade, além da possibilidade de texturização e a boa aceitação para acabamentos têxteis. Devido à sua versatilidade, esta fibra sintética está presente em muitos dos produtos da Luvas Yeling, conferindo conforto e maleabilidade para os usuários.

 

 (Fontes: https://reperiorevistadearte.wordpress.com/2013/07/29/breve-historia-do-nylon/
https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/4241/1/BS%2001%20Fibras%20Artificiais%20e%20Sint%C3%A9ticas_P.pdf)