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Breve História do Tamanho das Luvas

  • 18/01/2018
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Atualmente, as luvas possuem uma padronização de tamanhos que é praticada pela indústria no mundo todo. Os tamanhos vão do 6 (PP), ao 11 (XGG), e tais números referem-se à medida em polegadas da circunferência da mão, descontando o polegar. Essa padronização é muitíssimo importante em uma economia totalmente globalizada, onde produtos são feitos em um país, para usuários que estão a milhares de quilômetros de distância.

Contudo, embora as luvas acompanhem a humanidade desde o tempo das cavernas, foi apenas na metade do século 19 que alguém pensou em criar uma escala de tamanhos a fim de aumentar a produtividade dos luveiros, além é claro, do conforto dos usuários finais. Aos 08 dias de Dezembro de 1801, início do inverno europeu, nascia na cidade francesa de Grenoble, o homem que revolucionaria a produção de luvas para sempre.

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Xavier Jouvin vinha de uma família de mestres luveiros, e envolvido desde pequeno no processo produtivo, não tardou a identificar um problema difícil de resolver. As luvas da época eram cortadas individualmente, com o uso de tesouras de costura. Assim, era muito difícil que os pares de um mesmo lote tivessem todos o mesmo tamanho. Mais do que isso, cada trabalhador que cortava as luvas, acabava por cortá-las de acordo com sua concepção pessoal de grande ou pequeno.

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Foi à Paris, onde estudou os minuciosos detalhes da engenharia mecânica voltada para a indústria têxtil. Voltou à Grenoble para trabalhar nos negócios da família, e paralelo a atividade empresarial, passou a estudar a anatomia das mãos, carpintaria e o processo de produção de luvas. Após dedicar anos à sua pesquisa, em 1834, Jouvin classificou as mãos em impressionantes 320 tipos diferentes, e 32 tamanhos, além de um esboço de como seria o aparato que permitiria a padronização do corte de luvas, chamado “Mão de Ferro”.

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Após 2 anos de testes com um protótipo, em 1838 Jouvin apresentou ao mercado a versão final de seu sistema de corte de luvas. O processo era deveras engenhoso:

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Primeiro era escolhido um molde dentre os 32 tamanhos disponíveis na classificação pesquisada.

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Em seguida, 12 lâminas retangulares de couro de cabra eram colocadas em cima desse molde. Por fim, uma prensa forçava as lâminas contra o molde, cortando 6 pares exatamente iguais em poucos segundos.

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Mas, os pares ainda precisavam ser costurados, e a Mão de Ferro já previa cada detalhe desse processo. Além do corpo das luvas, eram cortados os pequenos triângulos que cubririam os ossos dos punhos, ou as meias luas que permitiriam a flexibilidade do polegar. Tudo foi muito bem pensado, para que a automatização do processo não prejudicasse a qualidade artesanal do produto.

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No entanto, iniciada a produção em escala, tanto das Mãos de Ferro, quanto das luvas utilizando o sistema criado por ele, centenas de trabalhadores começaram a ser substituídos nas fábricas, e isso não deixou o inventor contente. Jouvin não queria prejudicar pessoa alguma. Portanto, antes de morrer precocemente aos  43 anos de idade, ele doou parte dos lucros que obteve com suas patentes, para a Sociedade de Suporte Mútuo dos Luveiros de Grenoble, a primeira sociedade baseada no mutualismo em território francês.

O sistema de Xavier Jouvin revolucionou a indústria têxtil europeia, possibilitando que pela primeira vez na história, os usuários pudessem escolher luvas que realmente se adequassem ao tamanho de suas mãos. Mesmo com as mudanças implementadas no passar das décadas, até chegarmos na padronização que utilizamos hoje, ainda existem luveiros franceses especializados em luvas de couro, que produzem seus artefatos sob o sistema desenvolvido em 1838, tamanha a precisão técnica e tecnológica que o inventor obteve, mesmo tendo alcançado isso há mais de 150 anos.