Bem-Estar

A influência da saúde mental no corpo

  • 05/10/2017
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m recente estudo de diversas instituições da área da Psicologia apontam que a mente pode influenciar nossa saúde corporal. Em um artigo publicado no site Meu Cérebro, especialistas indicam que medicina psicossomática tem, a passos largos, evidenciando que o ser humano deve ser compreendido por inteiro e não em partes. Ou seja, o estresse, os estados de humor e os transtornos mentais podem sim impactar a saúde corporal.

Vivemos diante de mil preocupações, dilemas e discordâncias e tudo isso nos afeta fisicamente. Na publicação, os especialistas revelam como algumas dessas influências acontecem e, em alguns casos, induzem até mesmo doenças. Confira:

Mente x Sistema Imune: Todo mundo já percebeu, pelo menos uma vez, que quando chegam os períodos de grande tensão do dia a dia (provas, um novo projeto da empresa etc) a “imunidade baixa” e nos tornamos mais suscetíveis a infecções comuns, como gripes e resfriados. A diferença é que a influência do estresse sobre o sistema imune não pára por aí.

Durante períodos de estresse, dois eixos hormonais principais são ativados: o Sistema Nervoso Simpático (produtor de adrenalina) e o eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (produtor de cortisol). O resultado da ativação crônica desses sistemas é a produção de várias citocinas (moléculas de sinalização) desencadeadoras de processos inflamatórios, em especial IL-1, IL-6 e TNF-α. Algumas pesquisas mostraram que estressores sociais (como a rejeição e o isolamento social) desencadeavam exatamente esse tipo de resposta hormonal. Em outras palavras, o estresse causa uma “inflamação em todo o corpo” que, apesar de tudo, é desorganizada e ineficaz em combater agentes causadores de doença.

Resultado: agressão a todos os órgãos do corpo (inclusive aumentando o risco de doenças cardiovasculares e outros exemplos) sem uma imunidade efetiva, tornando-nos suscetíveis a infecções. Essa inflamação, inclusive, segundo as pesquisas, favorece o desenvolvimento da depressão, fechando um ciclo vicioso.

Mente x Sistema Cardiovascular: Já vimos que a depressão, questões sociais e outras fontes de estresse aumentam o risco de infarto, tanto pela inflamação inerente ao processo, quanto pelo próprio descuido que a pessoa passa a apresentar com a própria saúde. A influência é tal que alguns estudos mostram que, em pacientes vítimas de Síndrome Coronariana Aguda (infarto ou angina), o simples tratamento psicológico (com terapia cognitivo-comportamental ou antidepressivos), sem outras intervenções, já reduz as chances de complicações e de novos eventos cardiovasculares, apesar de não reduzir a mortalidade.

Além disso, existe uma síndrome muito particular chamada Síndrome do Coração Partido ou Cardiopatia de Takotsubo. Trata-se de uma doença desencadeada por fortes estresses agudos (em especial em pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático) em que a liberação exagerada de adrenalina e outras catecolaminas submete o miocárdio a estresse intenso. Isso leva à contração vigorosa da base do coração, com necrose (ou seja, morte tecidual) no ápice cardíaco, deixando-o com a forma de um takotsubo (vaso japonês usado na pesca de polvos). O quadro pode causar uma insuficiência cardíaca grave, podendo ser fatal.

Miocardiopatia de Takotsubo (A). Observa-se acinesia apical com contração da base cardíaca, deixando o órgão na forma do vaso de mesmo nome (B).

Mente x Sistema Nervoso: É claro que quando falamos em estresse, o próprio estado mental de uma pessoa vai comprometer o funcionamento do seu sistema nervoso. Contudo, isso vai além do que podemos imaginar.

Primeiramente, a adrenalina e o cortisol liberados no estresse crônico estimula a apoptose (morte) neuronal. Além disso, alguns estudos observaram que pacientes deprimidos apresentam dosagem aumentada de proteínas no líquido céfalo-raquidiano (por um mecanismo ainda desconhecido). Em um futuro próximo, isso pode ajudar profissionais na classificação ou mesmo no diagnóstico de algumas formas de depressão.

Outro exemplo interessante é a epigenética (influência do meio sobre a expressão dos genes). Observou-se que os estressores ambientais, em especial os sociais, levam à metilação do sítio promotor do gene SLC6A4, que produz um transportador de serotonina. Em outras palavras, o estresse ambiental interfere no metabolismo da serotonina e, com isso, favorece o desenvolvimento da depressão (gerando, aqui, um novo ciclo vicioso).

Mente x Pele: Já se sabe que a ansiedade e o estresse psicológico podem atuar como desencadeadores de doenças cutâneas (como a dermatite seborreica) ou como agravantes de condições preexistentes (como vitiligo, por exemplo). Além disso, o próprio estresse, em especial através do cortisol, compromete os mecanismos de restauração da função de barreira cutânea após lesões mecânicas ou químicas. Ou seja, a capacidade da pele de atuar como barreira diminui e, com isso, há grande perda de água. Isso deixa a pele ressecada e agrava crises de dermatite atópica, dentre outras consequências.

Mente x Câncer: Esse é um assunto polêmico, mas que, ironicamente, não tem grandes evidências para solucionar suas questões. Existem várias teorias afirmando que o estresse favorece o desenvolvimento do câncer por uma mistura de mecanismos envolvendo desde o estresse oxidativo até a deficiência imune. Quanto a isso, não é possível confirmar a teoria nem o mecanismo.

O que algumas pesquisas evidenciaram é que o estresse interfere na angiogênese (produção de novos vasos sanguíneos pelo tumor), na proliferação celular, na adesão das células cancerosas aos tecidos, na migração dessas células, na invasão vascular e em sua sobrevivência. Como resultado, as células tumorais ficam mais propensas a sair de seu sítio primário e se instalarem em novos locais, dando origem às metástases.

(Fonte/pesquisa:  http://meucerebro.com/mente-sente-o-corpo-fala-efeitos-da-mente-sobre-o-corpo/; Com informações de: Psychosomatic Medicine (1), Psychosomatic Medicine (2), Revista Brasileira de Cardiologia, Neuropsychopharmacology, Psychological Bulletin, Journal of Investigative Dermatology, Future Oncology.)