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Látex natural: da cultura extrativista à proteção das mãos

  • 16/02/2018
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O látex natural, uma matéria-prima que tem sido utilizada desde os primeiros séculos do descobrimento do Brasil, possui grande importância no cotidiano. A seiva extraída da seringueira, uma árvore genuinamente brasileira, é fonte de matéria-prima para diversos itens, desde medicamentos, luvas cirúrgicas, pneus e até tintas. Em especial, seu uso está na fabricação de borracha. Extraído da seringueira (Hevea brasiliensis) o látex é obtido fazendo talhos no tronco desta árvore e recolhendo a seiva.

Close up the Fresh latex milk of rubber trees. Raw materials for the rubber industry.

 

Para uma melhor compreensão da cultura extrativista do látex natural, retornamos ao período do Brasil Colônia. Nesta época, segundo relato dos historiadores, a região da Amazônia era desprovida de ações governamentais que incentivassem o progresso. Como não havia riquezas em ouro e outros minérios a serem explorados, o local vivia do extrativismo vegetal, praticamente, de maneira isolada. E eram os índios da Amazônia que dominavam as técnicas de trabalho com a borracha natural. A habilidade indígena com a seiva extraída da seringueira despertou a atenção da comunidade científica no século XVIII. Foi o cientista e explorador francês Charles Marie de La Condamine a fazer o primeiro informe sobre o extrativismo do látex natural. Em 1774, ele relatou sobre a descoberta na Academia de Ciências da França. “Os índios fabricam garrafas, botas e bolas ocas, que se achatam quando apertadas, mas que tornam a sua primitiva forma desde que livres“.

Outra descoberta importante envolvendo o látex é a de Charles Goodyear. Em 1839, este inventor norte-americano descobriu a vulcanização da borracha (fusão do látex com enxofre por meio do fogo) e assim, a borracha natural se tornou matéria-prima para pneus de carros e solas de sapatos. É necessário destacar também que a Revolução Industrial na Europa contribuiu para o aumento das exportações do látex – este que era um produto exclusivamente brasileiro.

Apesar de a seringueira ser conhecida pelos índios antes mesmo da descoberta do Brasil, a exportação do látex vai alcançar o auge entre 1870 e 1920. Neste momento, este produto passa a representar 25% da exportação nacional, ficando atrás somente do café. Isto ocasiona uma migração de trabalhadores de outros estados brasileiros para cidades como Manaus, Belém e Porto Velho fortalecendo a economia da região e promovendo transformações sociais e culturais. Este tempo fica conhecido como Ciclo da Borracha ou ainda Ouro Branco, pois o Brasil passa a ser o maior exportador de látex e a seringueira se destaca por ser o principal recurso natural do país. Entretanto, esse período de franca ascensão econômica passa a ter um declínio quando exploradores estrangeiros entram na Amazônia e levam sementes da seringueira para plantio em outros continentes. Desta forma, alguns anos mais tarde, a Ásia também começa a fornecer o látex ao mercado, enfraquecendo as exportações brasileiras. No período da Segunda Guerra Mundial, as exportações voltam a crescer, mas a produção sintética de borracha também contribuiu para que o extrativismo do látex natural não voltasse à importância que teve outrora na economia.

 

Propriedades físicas do látex natural

O látex natural tem aparência branca leitosa e pegajosa. Em seu estado natural, a borracha é mole e elástica, insolúvel na água e aumenta de volume com relativa facilidade por ação da umidade. A descoberta da vulcanização tornou possível mudanças nas propriedades mecânicas do látex natural. O aquecimento do látex com o enxofre confere ao material boa resistência à tração e elasticidade – o que permite que ele volte à forma normal após ser esticado –, resistência ao calor até 80-90°C e ainda flexibilidade a baixas temperaturas até cerca de -55°C. Em contrapartida, demora muito tempo para deteriorar.

O látex natural é fonte de matéria-prima para a fabricação de diversos produtos, desde pneus a utensílios de cozinha, brinquedos, luvas de borracha e preservativos.

 

As primeiras luvas de látex

As primeiras luvas de látex surgiram nos Estados Unidos. Historiadores relatam que o cirurgião norte-americano Dr. William Halsted encomendou a Charles Goodyear um par de luvas de borracha para a enfermeira Caroline Hampton que havia desenvolvido uma dermatite pelo uso contínuo de soluções anti-sépticas fortes. Nesta época, final do século XIX, as operações cirúrgicas não exigiam o uso de luvas. Com o uso das luvas de borracha – que eram na cor preta por conta da tecnologia utilizada na época – as infecções pós-operatórias praticamente desapareceram. Tempos depois, as luvas de látex passam a ser utilizadas pela Escola de Medicina de Johns Hopkins, em Baltimore e a sua popularidade vai crescendo até que no começo do século XX a maioria dos hospitais do mundo faz o uso das luvas. A história registra ainda que por um bom tempo, as luvas cirúrgicas de látex ficaram conhecidas como “Luvas do Amor”, pela persistência do Dr. William Halsted em encontrar uma solução para a dermatite de sua esposa, a enfermeira Caroline Hampton.

Atualmente, quando o assunto é proteção das mãos, as luvas como EPI’s (Equipamento de Proteção de Individual) possuem diferentes características para os diversos tipos de atividades na indústria. O banho de látex em luvas confere maior destreza e maleabilidade para trabalhos com ferramentas e materiais abrasivos. As luvas com banho de látex na palma e nos dedos oferecem conforto e flexibilidade para operações em que se exigem agarre e tato. Outra vantagem é que estas luvas podem ser utilizadas em condições secas ou úmidas. A Luvas Yeling confecciona diversos produtos com o banho de látex para atender as diferentes necessidades das atividades do mercado.

 

(Fontes pesquisa: http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/historia-da-seringueira-arvore-que-produz-borracha-natural/
 http://pre.univesp.br/borracha#.WnxFk6inHIU
 https://www.sescsp.org.br/online/artigo/7380_TRISTE+HISTORIA+DE+UM+CICLO)