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Atualização da EN 388 traz resultados mais precisos e consistentes

  • 07/12/2017
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A nova versão da EN 388:2016 traz resultados mais precisos e consistentes, principalmente quando falamos em alta resistência a corte.

A EN 388 norma europeia para luvas de proteção contra riscos mecânicos passou por atualização. Para a EN 388:2016, a mudança indica a introdução de um novo teste para resistência a cortes (regida pela ISO 13997), além da validação acerca da resistência a impactos no dorso das luvas (teste opcional).

O analista de qualidade e normatização da Yeling, Guilherme Pereira, explica como funciona este novo método de teste, realizado pela máquina TDM-100 e regido pela ISO 13997. “Usa-se uma lâmina reta (como se fosse uma navalha), contra uma amostra de tecido, movendo-a para frente e para trás a uma velocidade e força constantes. A amostra é posicionada em um suporte curvo, e a força é aplicada de baixo para cima”. A afiação da lâmina é calibrada com uma borracha de neoprene para fornecer a informação mais precisa possível.

O analista também explica que a cada vez que a lâmina completa um ciclo ou um corte através da amostra, faz-se necessário que ela seja substituída por uma nova lâmina, a fim de garantir a precisão dos resultados. O corte é determinado quando há registro de contato elétrico entre a lâmina e a superfície curva onde está posicionada a amostra. “Se a amostra contiver fios metálicos, um plástico filme fino é posicionado entre a amostra e a superfície, a fim de evitar que um contato elétrico com a trama seja estabelecido acusando um falso resultado”, esclarece Guilherme.

A amostra é cortada cinco vezes, com três diferentes cargas de força. A distância percorrida pela lâmina para causar o corte sob a ação das diferentes cargas é registrada. Tais dados são utilizados para determinar a carga necessária para atravessar a amostra com a lâmina. Em resumo, a ISO 13997 traz resultados mais precisos e consistentes.

Sobre as alterações na EN388:2016 em relação aos produtos, Guilherme Pereira explica que apenas os novos produtos serão afetados diretamente. “Essa mudança só afetará os produtos que vierem a ser certificados após a publicação da norma. Essas normatizações não agem de forma retroativa, ou seja, não alteram os C.A.s que são anteriores a ela. Produtos que vieram antes dela continuarão ser comercializados com a norma anterior, onde somente na renovação serão atualizados”.

É preciso lembrar que os testes de abrasão, rasgo e perfuração não sofreram mudanças. O analista Guilherme Pereira também ressalta os benefícios das alterações. “Nos próximos anos, veremos cada vez mais produtos sob essa nova norma, e isso permitirá verificar resultados, principalmente no item ‘corte’ com maior precisão, confiabilidade e assertividade, levando-se assim a uma escolha mais correta do EPI, respaldada pelos resultados apresentados. Além disso, luvas com alta resistência a corte  que antes não apresentavam resultados satisfatórios no método Coupe, agora poderão receber certificações de forma mais assertiva”, finaliza.

Pictogramas

Figura 1

As figuras abaixo mostram uma comparação entre o antigo e o novo pictograma, com detalhes sobre os novos níveis de A a F. EN:388:2003. Ele possui quatro testes de risco mecânico: Abrasão (0 a 4), Corte (0 a 5), Rasgo (0 a 4) e Perfuração (0 a 4).

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Figura 2

Agora, observemos um pictograma dentro da nova EN:388:2016. Temos a inclusão do teste de corte da ISO 13997 e da Proteção Anti Impacto no dorso das luvas.

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Figura 3

Na figura abaixo, observe como são dispostos os níveis de corte pelo Método ISO 13997, e qual a carga de energia necessária nos resultados para atingir cada um dos níveis. Lembrando que na atualização da norma, os níveis de corte são classificados por letras e os níveis encontrados nos testes são medidos em Newtons.

 

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